Figuras de Linguagem

Vamos conversar um pouco sobre as figuras de linguagem? Impossível neste post passar todas as figuras, pois são muitas, mas pretendo abordar as principais. Este conteúdo é estudado tanto na disciplina de Literatura, como em Língua Portuguesa. Vocês podem reparar que existem muitas figuras de linguagem em textos literários (poesia e músicas).

Dever de casa: Deixe nos comentários um trecho de uma música e classifique qual figura de linguagem representa. Prometo que vou corrigir.

Os desvios da norma culta que visam ao reforço da mensagem vão constituir as figuras de linguagem.

FIGURAS DE SOM (FÔNICAS)

Assonância

  • Aliteração: repetição ordenada dos mesmos sons consonantais.

ex: “Esperando, parada, pregada na pedra do porto.”

  • Assonância: repetição ordenada dos mesmos sons vocálicos.

ex: “Sou um mulato nato no sentido lato
mulato democrático do litoral.”

  • Onomatopeia: criação de uma palavra para imitar um som.

ex: “Logo o pendulo se movia, de um lado para outro, tique-taque, tique-taque…”

Onomatopeia

FIGURAS DE CONSTRUÇÃO OU SINTAXE:

  • Elipse: omissão de um termo facilmente subentendido.

ex: Naquele país, muitos médicos competentes. (omissão de “há”).

  • Zeugma: omissão (elipse) de um termo que já apareceu antes.

ex: “O meu pai era paulista
Meu avó, pernambucano
O meu bisavô, mineiro
Meu tataravô, baiano (omissão de “era”).

  • Polissíndeto: repetição de conectivos na ligação entre elementos da frase ou do período.

ex: “E sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito.”

  • Assíndeto: a ausência de conectivos na ligação dos elementos da frase ou do período chama-se assíndeto.

ex: “A barca vinha perto, chegou, atracou, entramos.”

  • Hipérbato: Mudança da ordem natural dos termos na frase.

ex: “Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heroico o brado retumbante.” 

Pleonasmo

  • Pleonasmo: termos que repetem a mesma ideia com o fim de enfatizar. Trata-se, pois, de uma redundância cuja finalidade é reforçar a mensagem.

ex: Vi com meus próprios olhos.

  • Anáfora: repetição de uma mesma palavra no início de versos ou frases.

ex: “Olha a voz que me resta
Olha a veia que salta
Olha a gota que falta.”

FIGURAS DE PENSAMENTO

  • Antítese: aproximação de termos contrários, de termos que se opõem pelo sentido.

ex: “Durante o frio, fosse o calor.”

  • Ironia: utilização de termo com sentido oposto ao original, obtendo-se, assim, valor irônico.

ex: O seu aproveitamento na escola não podia ter sido melhor: reprovado em apenas seis matérias.

  • Eufemismo: substituição de uma expressão por outra menos brusca. Consiste em suavizar alguma ideia desagradável.

ex: Ele enriqueceu por meios ilícitos. (em vez de roubou)

Eufemismo

  • Hipérbole: exagero de uma ideia com finalidade expressiva.

ex: Estou morrendo de sede. (em vez de com muita sede)

  • Prosopopeia ou Personificação: atribuição de predicados próprios de seres animados a seres inanimados.

ex: “Havia estrelas infantis a balbuciar preces matinais no céu deliquescente.”

  • Gradação: apresentação de ideias em progressão ascendente ou descendente.

ex: “Um coração chagado de desejos
Latejando, batendo, restrugindo.”

FIGURAS DE PALAVRAS

Metáfora

  • Metáfora: acontece quando é utilizada uma substituição de termos que possuem significados diferentes, atribuindo a eles o mesmo sentido.

ex: “Meu pensamento é um rio subterrâneo.” (observe que o que está em negrito passa a designar “pensamento”).

  • Metonímia: é o uso da parte pelo todo. Ocorre quando o autor substitui uma palavra por outra próxima. É usada para evitar repetições de palavras no texto.

ex: Pão para quem tem fome. (pão em lugar de “alimento”)
Eu adoro ler Maurício de Sousa. (ler a obra e não o autor)

  • Catacrese: ocorre quando atribuímos um nome a algo que não possui nome específico, fazendo referências a outras coisas e objetos. ATENÇÃO: É um tipo de METONÍMIA.

ex: céu da boca, asa da xícara, pé da mesa, batata da perna, embarcar no ônibus.

  • Sinestesia: é um jogo da mistura das sensações (nossos 5 sentidos: tato, paladar, visão, audição e olfato).

ex: Ela sentiu o sabor frio da derrota. (sensações diferentes: paladar e tato)

Livro: Lucíola – José de Alencar

Venho com mais uma resenha de um clássico da nossa literatura brasileira, Lucíola de José de Alencar. Podemos considerar Alencar como o precursor do romantismo no Brasil dentro das quatro características: indianista, psicológico, regional e histórico.

Em Lucíola, conhecemos Paulo Dias, que narra, por meio de cartas, como começou seu relacionamento com uma mulher, Lúcia. Logo após sua chegada ao Rio de Janeiro, Paulo é convidado por seu amigo para a Festa da Glória. Foi amor à primeira vista, na festa avista Lúcia e fica encantado com a moça.

Sá, seu amigo, logo comenta sobre a moça e revela que ela é uma cortesã. Todos ali, incluindo ele, a conhecem muito bem. Mesmo sabendo disso, Paulo vai atrás da moça, de início viram amigos, mas logo se tornam amantes.

Com a presença constante dele em sua casa, Lúcia começa a sair menos e consequentemente começaram os boatos. Ao saber que falavam que Lúcia o estava bancando, Paulo fica indignado e fala para a amada voltar a sair mais.

A relação deles é marcada de brigas, términos e paixão. Na tentativa de largar a vida de cortesã, resgata sua irmã e vai morar com ela em uma casa mais simples. Nesse momento, ela revela a Paulo como tudo aconteceu, o que a levou entrar na vida de cortesã.

Muitas coisas ainda vão acontecer no desenrolar da história, mas já posso dizer que o final foi emocionante e me tocou muito. Essa foi minha primeira experiência com José de Alencar e gostei muito, já estou querendo ler mais obras do autor.

Onde comprar o livro: AMAZON

Livro: O quinze – Rachel de Queiroz

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Hoje, venho falar desse livro surpreendente da Rachel de Queiroz, uma das autoras que pertence a Segunda Geração do Modernismo no Brasil, que ficou conhecida como a Geração de 30. Os romances dessa fase são caracterizados pela denúncia social, por isso houve interesse em retratar temas nacionais.

Esse livro foi escrito pela a autora quando ela tinha somente 20 anos e traz como temática a grande seca de 1915 do Nordeste, na qual Rachel ouviu tanto falar. Só mais uma curiosidade da autora, ela foi a primeira mulher a entrar na Acadêmia Brasileira de Letras.

SOBRE A OBRA:

O livro gira em torno de Conceição, uma jovem professora e mais dois núcleos de personagens, Vicente e Chico Bento e sua família. A moça vai para Logradouro, localizada próximo de Quixadá, onde vive sua avó mãe Nácia, como ela a chama. A seca está castigando a localidade e Conceição vai para lá passar férias com o intuito de levar a avó para a capital, onde mora e leciona.

De início a avó encontra certa resistência, pois não saberia ficar longe de casa e reza constantemente pedindo a chegada das chuvas. Vicente é primo da Conceição e trabalha em sua própria fazenda cuidando do gado. Apesar disso, é um homem sem muitos estudos, ao contrário de sua prima conhecida como uma moça intelectual. Há um certo tipo de flerte entre os dois, mas muito sutil.

Já o Chico Bento é um vaqueiro que trabalha na fazenda de Dona Maroca, que por sua vez manda soltar o gado para a própria sorte. Sem ter o que fazer na fazenda, Chico Bento resolve migrar para o Norte com a família e como não acham passagem de trem, resolvem fazer a viagem a pé. No decorrer dessa peregrinação, a família vai passar por muitos sofrimentos.

Apesar de lembrar muito o livro Vidas Secas, do Graciliano Ramos, é um livro totalmente diferente e que me emocionou muito. Vale a pena a leitura para conhecer mais dessa grande obra da nossa literatura brasileira e refletirmos mais sobre a nossa própria história.