A literatura e o cinema

Fonte da imagem: Cineset

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Nada melhor do que literatura e cinema. Em uma das aulas desse semestre de Linguagens da Arte e Regionalidades abordamos esse assunto. Gostei tanto que resolvi compartilhar aqui no blog.

O cinema pode ser considerado sob duas perspectivas fundamentais, a arte e indústria. E, ao contrario do que se supõe, o cinema como arte seria uma segunda função, já que a industria cinematográfica ocupa-se do entretenimento, procurando atingir o maior número de espectadores.

No Brasil, esse dilema do artista (ainda que não seja um fator determinante para elaboração de um filme) intensificou-se em épocas da ditadura. A censura atuou severamente sobre o processo de criação artística. Se estudarmos a história do cinema no Brasil, verificaremos que a maior partes dos filmes foram rodados ainda no século XIX, mas eles não se enquadraram em nosso estudo, visto serem apenas imagens e não adaptações literárias.

É no século XX, com a chegada dos imigrantes italianos em São Paulo, que surgem as primeiras adaptações de romances brasileiros, produzidos por Antonio de Campos: Inocência (1915) e O Guarani (1916). No Rio de Janeiro, destaca-se Manuel de Barros, que até os anos 70, produziu mais de 60 filmes, entre eles A Viuvinha (1915), Iracema (1918) e Ubirajara (1919). Posteriormente, uma outra adaptação de O Guarani, será o primeiro filme brasileiro com boa aceitação do público brasileiro.

O cinema brasileiro não vive só de adaptações literárias, ao contrário, essas produções eram em menor número do que os filmes propagandísticos. Muitas vezes, noticiários eram exibidos nas telas do cinema, por isso ficou conhecido como cine-jornal.

Com a Primeira Guerra Mundial, o mercado cinematográfico europeu entra em declínio e os EUA dominam o cenário. Revistas especializadas chegam ao Brasil trazendo novidades de Hollywood e todos querem saber das vidas dos astros e imitar seus estilos. Nesse contexto, o cinema brasileiro recua e registram-se apenas ciclos regionais, mas sem grande repercussão nacional.

Curiosamente, é uma evolução do cinema que dificultará a entrada de filmes norte-americanos no Brasil a partir da década de 30, o cinema nacional falado. Acontece que aqui no Brasil as salas de cinema não estavam preparadas para exibir filmes legendados. Rapidamente os EUA resolvem isso, fazendo uma intensa propaganda fazendo com que os brasileiros se acostumassem a assistir filmes legendados.

Fonte da imagem: Cinemacao

Fonte da imagem: Cinemacao

Nos anos 40, o empresário Franco Zampari cria a produtora Vera Cruz, com equipamentos importados, produções caras, como fazia Hollywood. Tem inicio um sucesso de grande público que compete com os filmes americanos, as comédias do caipira Mazzaropi.

Paralelamente, surgem as chanchadas da Atlântida Cinematográfica. Artistas de sucesso da Atlântida são comediantes como Oscarito, o grande Otelo e Ankito, os galãs Anselmo Duarte, entre outros. No final dos anos 60, as chanchadas cansam o público, e a TV recém chegada ao Brasil, contrata os principais artistas das telas, dando continuidade a arte.

Fonte da imagem: Imagens Amadas

Fonte da imagem: Imagens Amadas

O Cinema Novo:

Nos anos 50, surge, entre os intelectuais uma grande discussão sobre a influência do cinema americano nas produções brasileiras. Os jovens cineastras andavam frustados com a falência das companhias cinematográficas e resolvem lutar por um cinema de conteúdo, oposto às chanchadas e com orçamentos baixos. Lançava-se o slogan “Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”. Assim, nasce o Cinema Novo.

O Nordeste se torna tema da primeira fase do Cinema Novo e os jovens cineastras produzem filme que marcam o cenário nacional.

Fonte da imagem: UEPB

Fonte da imagem: UEPB

Os grandes sucessos do Cinema Novo são: Os fuzis, Deus e o diabo na terra do sol e Vidas Secas. Esses filmes mostram um Brasil desconhecido e para manter-se fiéis à realidade os cineastras desenvolvem uma nova estética, completamente oposta do cinema americana.

É preciso observar que o objetivo de uma obra cinematográfica não é fazer uma adaptação fiel de um texto, mas produzir uma significação para que o texto faça sentido para o espectador do cinema.

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