Leituras

Livro: Memórias Póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis

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Oi pessoal! Hoje trago mais uma resenha “Memórias Póstumas de Brás Cubas” do famoso Machado de Assis. Escolhi ler esse livro antes que o 1º semestre da faculdade acabasse pois essa obra foi muito mencionada em diversos momentos na disciplina de Oficina Literária, e como ainda não tinha lido, resolvi dar uma chance para não deixar acumular com as próximas leituras do 2º semestre.

Apesar de hoje fazer Letras, confesso que na época da escola quando era pedido para lermos os clássicos da literatura nacional eu não os lia, porque achava chato. Hoje mais velha, ainda mais estudante de Letras, tenho outra visão dos clássicos e quero/tenho que ler todos. A princípio fiquei um pouco receosa ao pegar esse livro para ler, por ser do tão temido Machado de Assis. Tinha uma ideia e pretendia começar a me familiarizar com Machado pelos seus contos e crônicas, antes de ir para seus romances propriamente ditos. Mas vamos lá!

RESENHA:

Como vocês já devem saber Brás Cubas é um autor defunto ou um defunto autor, ou seja, depois de morto ele resolveu contar sua própria história de vida. Por isso, vale a pena mencionar um trecho logo no começo do livro que ficou tão famoso e para entendermos um pouco mais.

“Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levam a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou sua morte, não a pôs no introito, mas no cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco.”

Então, como puderam ver Brás Cubas morreu aos 64 anos numa tarde de agosto de 1869. Sua história de vida se passa no Brasil Império, ou seja, na época onde existia uma elite de pessoas nobres, fidalgos, que eram muito ricos e em contrapartida existia uma classe enorme de escravos. A partir daí, Brás começa a contar sua vida sem papas na língua, com muita franqueza, pois como já estava morto, não podiam o julgar. Aqui, vale a pena ressaltar que Brás Cubas fazia parte desse grupo de pessoas que já nasceu rico e nunca precisou trabalhar, o famoso filhinho de papai da época.

Então, ele começa a nos contar sobre sua infância, que foi uma criança mimada e muito travessa, e passou a ser um adolescente idem. Na sua adolescência começa seus casos amorosos, onde seu primeiro amor foi Marcela, uma espanhola, que na verdade era uma prostituta cara, chegou a quase levar seu pai a falência. Ele ainda cita que o amor de Marcela durou quinze meses e 11 contos de réis.

Quando seu pai descobre que ele o roubava para comprar presentes caros para Marcela, uma prostituta, resolve que é a hora de mandá-lo para estudar em Portugal. Assim, Brás Cubas vai para Universidade de Coimbra e se forma, mas de forma medíocre, como ele mesmo fala.

“… a Universidade me atestou, em pergaminho, uma ciência que eu estava longe de trazer arraigada no cérebro, confesso que me achei de algum modo logrado, ainda que orgulhoso.”

Assim, ele volta para o Brasil depois de receber uma carta de seu pai dizendo que sua mãe estava muito mal de saúde. Chegando no Rio de Janeiro, Brás encontra com sua mãe, que logo morre. Então, seu pai quer que ele se case e se torne Ministro, pois todo homem público tinha que ser casado, mas sabemos que não é isso que Brás quer para sua vida.

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Ele aceita a proposta do pai de conhecer uma moça, Virgília, filha de renomados da política. Mas ela acaba se casando com outro, o Lobo Neves, que digamos era seu “amigo”. Então, eles se tornam amantes, pois ambos tem uma atração um pelo outro  mesmo antes do casamento de Virgília. E essa situação do relacionamento de Brás com a moça é um entanto comoda, já que ele não tinha que sustentá-la por já ter um marido. Em certo momento, a vizinha começa a desconfiar dos dois e Lobo Neves a receber bilhetes os denunciando, e o casal resolvem se distanciar.

Neste momento, Cubas vai se refugiar na casa de sua família e conhece Eugênia, filha de amigos de seus pais, uma moça nova e muito bonita, porém coxa de nascença. Quando ele percebe a deficiência da moça, a rejeita para um futuro casamento, mas mesmo assim, tem um pequeno caso com ela. E nessa fase do livro, temos uma passagem bem cômica:

“Por que bonita, se coxa? por que coxa, se bonita? Tal era a pergunta que eu vinha fazendo a mim mesmo ao voltar para casa, de noite, sem atinar com a solução do enigma.”

Depois disso, Brás conhece Nhã-Lolô, outra moça muito bonita, que ele começa a se interessar, mas ela fica doente e acaba morrendo. Então, como vocês podem ver o amor nunca deu certo para ele.

No auge dos seus 60 anos, Brás Cubas queria ficar famoso de alguma forma, já que nunca trabalhou, não foi ministro e nem nada. Inventou o “Emplasto Brás Cubas”, que seria um remédio milagroso para curar todas as doenças. Foi nesse momento, em que ele imaginava ideias para seu emplasto foi até a janela pegar um ar e pegou uma pneumonia, que acaba o levando a óbito.

No livro também podemos conhecer o Quincas Borba, que é amigo de infância de Brás Cubas, que surge como mendigo e ele o ajuda com dinheiro. Nesse momento, ele rouba o relógio de Brás num abraço de despedida. No final do livro, Quincas volta mais bem arrumado, pois ganhou uma herança e volta todo filosófico à respeito do Humanitismo. Mas são ideais loucas, afinal Quincas Borba era meio louco e só o Brás Cubas tinha paciência com ele e resolve também seguir o Humanitismo.

Ao final do livro, vale a pena ressaltar outras passagens, onde entendemos de forma sucinta quem foi Brás Cubas:

“Este último capítulo é todo de negativas. Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto.”

“… E imaginará mal; porque, ao chegar a este outro lado do mistério, achei-me com pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: – Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.”

Bom, para mim esse livro não foi muito fácil de ler por conta de sua linguagem, mas não foi impossível. Ao menos tempo foi confuso em alguns momentos, pois ele nos conta sua vida como se estivesse conversando com o leitor, então ele vai e volta no tempo para contar diversos fatos conforme vai lembrando. Não o achei um livro extramente engraçado, apesar de ter alguns pontos de humor e ironia.

Um fato positivo sobre esse livro é que seus capítulos são bem curtinhos. Então, apesar da linguagem um pouco rebuscada, você consegue ler rápido. Voltando ao caso do personagem Quincas Borba ter aparecido neste livro, não sei a relação de ambos os personagens, já que nunca li “Quincas Borba” também de Machado de Assis, mas em breve irei ler.

O que eu adorei desta edição que eu tenho, da Editora Martin Claret, foi que ao final do livro eles disponibilizaram um guia de leitura sobre essa obra e o autor, assim como algumas questões de vestibulares com gabarito. Essa minha edição custou R$ 19,90 e comprei numa livraria física da minha cidade.

Ficha Técnica:

Editora: Martin Claret
ISBN: 9788572322942
Gênero: Literatura Nacional
Páginas: 195
Ano: 1999

 

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6 comentários em “Livro: Memórias Póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis

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