Livro: Vidas Secas – Graciliano Ramos

IMG_20150607_105400062 (1)

A resenha do livro de hoje é um livro que tive que ler para a faculdade nesse 1º semestre: Vidas Secas. Com uma leitura simples e que flui de forma gostosa, ele nos envolve de tal maneira que não deixaria de compartilhar aqui com vocês.

Sem contar que Vidas Secas é um clássico da literatura brasileira e está presente na vida de todos os estudantes de Ensino Médio. Mas não devemos esquecer que Graciliano Ramos é conhecido como autor da Geração de 30, onde o país vivia a época da ditadura Vargas.

RESENHA:

O livro “Vidas Secas” de Graciliano Ramos retrata uma família do interior do Nordeste que foge da seca. Essa família é composta de cinco membros, o pai Fabiano, a mãe dona Sinha Vitória, os dois filhos pequenos e a cadela Baleia.

Propositalmente, os filhos não tem nome nessa história, toda hora os é mencionado como o filho mais novo e o filho mais velho. Isso porque Graciliano quis aproximar a várias vidas e pessoas que vivem como indigentes no interior do Nordeste. Pessoas essas famílias, esses retirantes, que vivem na margem da pobreza total, miseráveis.

O livro começa com a fuga da família da seca na catinga, no interior do Sertão Nordestino. Como também termina com eles fugindo da seca. É uma obra considerada desmontável, cada capítulo é como se fosse um conto, com princípio, meio e fim. Então pode ser lido de maneira independente e fora de ordem. Esses capítulos ainda trazem o ponto de vista de cada personagem.

 Fabiano era o pai da família. Homem muito simples, um verdadeiro bicho do mato, sem estudos e analfabeto. A todo o momento ele se indaga querendo saber falar bonito como Sr. Tomás da Bolandeira e o pessoal da cidade, mas tinha medo até de repetir certas palavras, pois como não sabia o que era, poderia virar algo contra ele. Ele queria dar uma vida melhor para sua família, desejava que a seca terminasse, e queria ser mais esperto e entender mais das coisas e do mundo para não ser passado para traz.

“Na verdade falava pouco. Admirava as palavras compridas e difíceis da gente da cidade, tentava reproduzir algumas, em vão, mas sabia que elas era inúteis e talvez perigosas.” – Fabiano, Vidas Secas.

A cadela Baleia era como um membro da família. Brincava com os meninos e sempre fiel a família, possuía características humanas. A morte da cadela Baleia mostra o quanto ela simbolizava como uma criança ou bebê, que estava doente e Fabiano resolve sacrificá-la. Nesse momento, ela fica meio inquieta querendo saber o que aconteceu, onde está, só vê escuridão, não sente mais o cheiro dos preás, só queria dormir e acordar brincando com as crianças e num mundo cheio de preás.

“Baleia queria dormir. Acordaria feliz, num mundo cheio de preás. E lamberia as mãos de Fabiano, um Fabiano enorme. As crianças se espojariam com ela, rolariam com ela num pátio enorme, num chiqueiro enorme. O mundo ficaria todo cheio de preás, gordos, enormes.”

IMG_20150607_105519234

A seguir, a seca termina e eles encontram uma fazenda abandonada e resolvem se instalar por ali mesmo. Mas logo descobrem que essa fazendo tem dono, e Fabiano começa a trabalhar para ele senhor. Residem ali até que uma nova seca volta, e Fabiano com medo de ficar e morrer de fome e sede, resolve reunir a família e fugir novamente.

Graciliano quando escreveu Vidas Secas, escreveu com um narrador que fosse simples e seco. Assim, poderia transmitir ao leitor como era dura, seca e áspera a vida desses personagens. Essa família que pouco conversava entre si. Ao mesmo tempo esse narrador, vai de maneira simples nos mostrar os desejos mais íntimos de cada personagem. A principal característica de Vida Seca é um texto simples, com nenhum cunho sentimental e que consegue provocar no leitor tantos sentimentos.

 A relação estabelecida entre a obra e a história é a importância de contar sobre a vida de um homem popular, retirante, que vive na miséria e a margem da sociedade. Retrata a opressão vivida por essas pessoas na vida real perante a sociedade. A questão do latifúndio, de divisão de terras, muito para uns, pouco para outros. E a questão da seca que é cíclica no Nordeste, ela vai e vem, e com isso muitas famílias são obrigadas a reconstruir suas vidas e seu futuro, que muitas vezes é incerto.

IMG_20150607_105646105

Por fim, deixo um trecho que Graciliano Ramos escreveu e se encontra no verso do livro e que quando li, me tocou profundamente. Sábias palavras.

“Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com a primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.”


Ficha Técnica:

Editora: Record
ISBN: 9788501067340
Gênero: Literatura Nacional
Páginas: 175
Ano: 2005

Anúncios

Um comentário sobre “Livro: Vidas Secas – Graciliano Ramos

  1. Pingback: Vidas Secas ganha versão em HQ | Mergulhando em Letras

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s