Livro: Venenos de Deus, remédios do Diabo – Mia Couto

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Finalmente explorei novas áreas e li o tão cultuado Mia Couto. Fazia tempo que ouço falar de Mia Couto, mas nunca tive a oportunidade de ler. Até que encontrei esse livro Veneno de Deus, remédios do Diabo na biblioteca do SESC, e mesmo sem ter lido nada a respeito dele, resolvi pegá-lo. Também, nem precisava né? Os livros de Mia Couto são referência quando falamos de literatura africana.

Para quem não sabe, Mia Couto nasceu em 1955, na Beira, Moçambique. É biólogo, jornalista e autor de mais de trinta livros, entre prosa e poesia. Seu romance Terra sonâmbula é considerado um dos dez melhores livros africanos do século XX. Recebeu uma série de prêmios literários, entre eles o Prêmio Camões de 2013, o mais prestigioso da língua portuguesa, e o Neustadt Prize de 2014. É membro correspondente da Academia Brasileira de Letras.

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RESENHA: 

Veneno de Deus, remédios do Diabo conta a história de Sidónio Rosa, médico português que se envolveu com Deolinda e resolve procurá-la em sua cidade natal na Vila Cacimba, em Moçambique. Para isso, usa como pretexto curar o vilarejo de uma terrível epidemia.

Nas cartas que Deolinda escreveu para Sidónio, pede que ele dê uma atenção especial ao seus pais, já que seu pai, o Bartolomeu Sozinho está muito doente e já não se dá bem com sua mãe, Dona Munda. A partir desse momento, o médico acaba se envolvendo com toda família para saber o que aconteceu com Deolinda, que até o momento estava desaparecida.

O livro tem uns trechos bem humorados, afinal o foco aqui é a mentira. Como Sidónio é novato na cidade, ele procura saber quem são os habitantes daquela vila, e até mesmo de descobrir um pouco da história da família de sua amada. É cada um contando uma mentira para tentar viver e acreditar que assim é melhor, como também cada um desmentindo a mentira do outro, o que deixa o médico bem confuso, sem saber em quem acreditar.

“Não seremos nada enquanto governarmos o país como se fosse um quintal e dirigirmos a economia com se fosse um bazar. Sabe quem disse isto?” (pág. 171)

“… não existe o ter vivido. Viver é um verbo sem passado. ” (pág. 56)

As duas citações acima me chamaram bastante atenção. A primeira, por soar tão atual em relação ao nosso país e nossos governantes que fazem o que querem, causando uma desordem total. Já a segunda, por ser apresentada logo no final do o 6º capítulo, e foi impossível terminar de ler e não refletir sobre essa frase, que é tão simples e ao mesmo tempo verdadeira, que passamos a despercebido.

Esse livro é bem mais que uma história baseada em mentiras, é um livro que nos faz refletir sobre nossas próprias mentiras e sabotagens que fazemos o tempo todo, mesmo que de forma inconsciente. Fora que aborda aspectos culturais da África, e vemos como as questões raciais ainda são importantes por lá, pois o médico Sindónio por ser português é sempre apontado por ser o único branco no meio de tantos negros.

Ficha Técnica:

Editora: Companhia das Letras
ISBN: 9788535912562
Gênero: Literatura africana
Páginas: 192
Ano: 2008

 

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Um comentário sobre “Livro: Venenos de Deus, remédios do Diabo – Mia Couto

  1. Há um tempo tenho interesse em ler algo dele, acho que tenho um livro digital aqui, vou dar uma checada se não é poesia, ao contrário da minha colega de blog, não curto muito (salvo alguns autores) hahaha. Esse livro parece ser bacana, vou salvar o nome. Valeu 🙂

    Adriana

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